Deputado estadual e presidente da Câmara fazem apelo a Eduardo Paes
Qui, 26 de Maio de 2011 09:08

Na rodoviária, passageiros temerosos em relação às mudanças impostas pela prefeitura do Rio. Elas deixariam as viagens de muitos petropolitanos mais longas. / Alexandre Carius
“É claro que a cidade tem que se preparar para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, mas que a prefeitura do Rio apresente uma alternativa mais viável, próximo ao Centro. Retirar estas linhas de circulação também afeta diretamente o já comprometido trânsito no entorno da Rodoviária Novo Rio, que, com a mudança, passará a ser o único embarque/desembarque. Vai sobrecarregar ainda mais”, afirma Bernardo Rossi.
O prefeito do Rio, Eduardo Paes, e o vice-prefeito, Carlos Alberto Muniz, receberam ofício do deputado estadual pedindo estudo de uma alternativa para a linha Petrópolis/Castelo. Na sessão de ontem, na Câmara de Vereadores, o presidente do Legislativo petropolitano, Paulo Igor, também abordou o assunto. Ele recolheu assinaturas dos demais vereadores em um documento que também será enviado à prefeitura carioca.
Segundo Paulo Igor, os engarrafamentos no acesso ao Rio têm inviabilizado os contatos comerciais e estudantis entre as duas cidades. “Entendemos que o planejamento urbano é necessário, no Rio, nessas e outras circunstâncias, mas são centenas de petropolitanos acessando o centro da capital não só nas linhas regulares, mas em ônibus fretados. Hoje, os engarrafamentos se iniciam ainda no início da Washington Luiz e as viagens de carro ou de ônibus duram, muitas vezes, mais de três horas. Também precisamos de meios para tornar proveitosa a proximidade que temos com a capital”.
Usuários da linha Petrópolis X Castelo já se mobilizam em busca de solução
A notícia do fim das linhas Petrópolis x Castelo caiu como uma bomba sobre os usuários do transporte intermunicipal. Passageiros já pensam em se reunir, inclusive com representantes da Viação Unica, com o objetivo de juntar forças e buscar uma forma alternativa do serviço continuar sendo prestado. Um dos motivos da interrupção seria o início das obras para os jogos olímpicos de 2016.Os transtornos serão muitos, pois além de ter que sair de casa mais cedo, considerando que terão que utilizar outro meio de transporte, como o ônibus urbano por exemplo, muitos terão que desembolsar mais R$ 5, por dia, para sair da rodoviária Novo Rio e chegar em seu destino e, no fim do dia, retornar para o local. Ou seja, os gastos representam um acréscimo de R$ 100 mensais. Hoje, para chegar no Castelo, a despesa diária do usuário é de R$ 17,03.
Para o usuário Mauro Corrêa, que utiliza a linha há mais de vinte anos, aqueles que precisam do serviço precisam se movimentar. “Sou usuário da linha Castelo desde que ela foi inaugurada. Hoje, serão quase mil pessoas prejudicadas, desde trabalhadores a universitários. Além das dificuldades para chegar em seus destinos, os usuários terão que enfrentar uma viagem ainda mais demorada na hora de voltar para casa”, salienta. Ele lembra ainda que, hoje, os usuários da linha já recebem um tratamento ruim porque, no Terminal Menezes Cortes, em alguns horários os passageiros são obrigados a embarcar fora das plataformas. “Alguns ônibus são muito altos e não têm espaço para entrar. Somos obrigados a aguardar seja embaixo de chuva ou no sol”, completa.
A aposentada Yolanda Atência, é outra que se preocupa. Apesar de não utilizar o serviço com frequência, o neto sobe e desce a serra diariamente e provavelmente terá que sair de casa mais cedo. “Acredito que deveriam repensar isso, pois muitos serão prejudicados. Meu neto estuda no Rio e o ônibus que faz a linha Castelo o deixa bem próximo da faculdade. Com essa mudança, terá que sair de casa ainda mais cedo para não chegar atrasado”, disse a aposentada.
Outro usuário salienta que já enfrenta problemas devido à falta de horários. Rômulo Cardoso de Lima, de 25 anos, também é estudante e precisa estar na UFRJ todos os dias, às 16h30. Para garantir que chegará a tempo, ele é obrigado a sair de Petrópolis no ônibus Castelo de 12h45. “Esse é o último horário no período da manhã. Se perder esse, só teremos outro às 14h15, o que significa uma hora e meia de espera. De qualquer forma, se ficarmos sem a linha, será bem pior, pois além de perder mais tempo, ainda teremos mais gastos”, opina. O advogado Renato Soares, de 32 anos, é outro que reclama. “Entendo que as obras precisam ser feitas e o trânsito organizado, mas nós, usuários de transporte, é que estaremos sendo afetados, e não são apenas os petropolitanos. Espero que essa medida não seja aplicada antes que façam um levantamento do impacto na vida e, principalmente, no orçamento dos trabalhadores”, disse.
Ontem, a assessoria de comunicação da Secretaria de Transporte da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro disse apenas que “todo o conjunto de ônibus que circula pelo centro do Rio, inclusive os intermunicipais, será revisto diante do projeto de BRS no Centro. Queremos racionalizar as linhas como um todo e maiores detalhes sobre este projeto serão revelados nos próximos meses, uma vez que o projeto está em fase embrionária”.


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