domingo, 15 de maio de 2011

Eleição para prefeito divide opiniões no PDT

Eleição para prefeito divide opiniões no PDT

Qui, 05 de Maio de 2011 12:00
Imprimir PDF
Integrantes do Partido Democrático Trabalhista (PDT) em Petrópolis, liderados pelo vereador Marcelo Motorista, manifestaram ontem insatisfação com a forma como vêm sendo conduzidas as negociações dentro do partido para a filiação e possível pré- candidatura a prefeito do ex-secretário de Desenvolvimento de Petrópolis, Nelson Sabrá. Lembrando que o partido sequer resolveu pendências internas como a definição em relação à nova executiva municipal, para que haja legitimidade nos trabalhos, o grupo considera a apresentação do nome de Sabrá como candidato sem uma discussão prévia com os correligionários, uma medida que foge ao histórico de tradição do partido de primar pela democracia.
“Não temos nada contra o Nelson Sabrá. Ele é uma pessoa que tem uma trajetória política, alguém que respeitamos muito. Na verdade, o que nos preocupa é a forma como esse assunto vem sendo tratado. Soubemos pela imprensa que o Nelson Sabrá estaria se filiando ao PDT e seria o candidato do partido à Prefeitura. Posteriormente, isso foi comunicado em uma reunião, sem que pudéssemos conversar sobre o assunto. Isso foge aos princípios deixados pelo Leonel Brizola de discutir de forma democrática as questões que são importantes para o partido. Não houve uma conversa, não sabemos se os anseios e pretensões do Sabrá são os mesmo do PDT hoje em Petrópolis. Tudo isso está sendo feito sem que os correligionários sejam consultados”, disse o vereador Marcelo Motorista.
Entre os insatisfeitos está o ex-presidente do diretório municipal do PDT, Cláudio Vinícius de Carvalho, que considera que enquanto não houver uma definição sobre a situação do diretório municipal o representante do PDT na cidade é o vereador Marcelo, que é o representante do partido na Câmara.
“Entendemos que o representante legítimo do partido na cidade hoje é o Marcelo, que  é o único integrante do PDT em Petrópolis que tem mandato. Não é justo que este assunto seja discutido em nível estadual e federal sem que haja ao menos uma consulta, uma conversa com os correligionários do PDT em Petrópolis. Estamos há um ano sem uma representação legal. O diretório municipal não tem legitimidade para agir, mas ele existe. As reuniões do partido continuam acontecendo. Já solicitamos à regional que convoque uma convenção ou nomeie uma comissão provisória, para dar legitimidade às ações do diretório municipal, para que possamos discutir o que é melhor para o partido, se é ter uma candidatura própria, ou mesmo dar apoio a alguma das lideranças que hoje percebemos que existem na cidade”, afirmou Cláudio Vinícius.
Mais do que a preocupação com a possibilidade do partido lançar uma candidatura própria à Prefeitura, Cleimar Barros chama atenção para a necessidade do partido de manter a representatividade na Câmara. O grupo afirma que muitos dos filiados que se candidataram na última eleição ameaçam deixar o PDT caso a imposição do nome de Sabrá seja mantida. “Minha preocupação não é com a majoritária, mas sim com a proporcional. É importante que nas próximas eleições o partido consiga manter a cadeira que hoje o Marcelo ocupa na Câmara ou mesmo amplie esta representatividade. No último pleito, 15 candidatos a vereador do partido disputaram a eleição e o PDT teve 11.400 votos. Com o anúncio da vinda do Sabrá, sete candidatos já estão deixando o partido, que com isso perde quatro mil votos. Se isto for oficializado, outros correligionários afirmam que vão deixar o partido”, considera Cleimar Barros.
O grupo tem também como integrantes Arnaldo Antônio Karl e Maria da Glória Lago e está preocupado ainda com a indefinição sobre o diretório municipal, que segundo eles deve ser definida o quanto antes. “É necessário que se resolva primeiro a questão do diretório municipal. Nem mesmo a situação dentro do partido foi resolvida e já se tem um candidato à majoritária. Já solicitamos e continuaremos pedindo à estadual que convoque uma convenção ou nomeie uma comissão provisória, pois só assim poderemos formalizar e apresentar uma legenda de vereadores, o que precisa ser feito antes do fim do mês de setembro”, lembrou Cláudio Vinícius.   
Questionado sobre a polêmica dentro do partido, Nelson Sabrá confirma a filiação ao partido, diz que de fato colocou seu nome à disposição e que entra no PDT com o objetivo de unir forças com lideranças do partido como o vereador Marcelo Motorista, o ex-presidente do diretório municipal Cláudio Vinícius e demais correligionários. “Eu demonstrei interesse em me filiar ao PDT e falei na época com o Rubens Resende, que foi o último representante legítimo do partido em Petrópolis. Ele marcou uma reunião com o presidente regional José Bonifácio, nós conversamos, apresentei as minhas intenções e ele me orientou a entrar em contato com o vereador Marcelo. Telefonei pra ele e tivemos uma longa conversa. O mesmo foi feito com o Cláudio Vinícius, com quem também conversei sobre minha intenção de ingressar no PDT. Ficamos de marcar uma reunião posteriormente, mas antes disso eu precisava ter a aprovação do Carlos Lupi, que é o presidente do partido. Estive com ele na sexta-feira e o ministro ratificou o convite, que já havia sido feito pelo Rubens Resende e pelo José Bonifácio”, afirmou Sabrá.
Sabrá frisa que as divergências fazem parte da política e explica que sua intenção é, junto com os correligionários, reconstruir o partido. “O Cláudio Vinícius, com a experiência de ex-presidente do diretório, tem todas as credenciais para ajudar na reconstrução do PDT, assim como o vereador Marcelo”, finalizou Nelson Sabrá.
JAQUELINE RIBEIRO
Redação Tribuna

Nenhum comentário:

Postar um comentário