
O Ministro Carlos Lupi, do Trabalho e Emprego, reinicia nesta segunda-feira (14/2) por Nova Friburgo sua visita as áreas da Região Serrana do Rio de Janeiro mais atingidas pelas chuvas de 12 de janeiro último que provocaram a morte de mais de 800 pessoas e o desaparecimento de outras 400. Na última sexta (11/2) Lupi esteve em Petrópolis e Teresópolis – visitou áreas como o Vale do Cuiabá, Bomsucesso e Vieira – para conversar com autoridades, trabalhadores e empresários locais – sobre a reconstrução e a normalização das atividades econômicas.
Nesta segunda, às 10h, o Ministro se reúne na sede da Prefeitura de Friburgo com o prefeito Dermeval Barboza Moreira e, depois, se reúne com representantes de 23 sindicatos de trabalhadores na rua General Osório 366, A – para, em seguida, por volta das 14 horas, conversar com produtores rurais e empresários na sede da Associação Comercial de Nova Friburgo, também no Centro da cidade.
“No primeiro momento o papel do governo federal foi dar total apoio à população, com o uso das Forças Armadas inclusive, para enfrentar a tragédia. Neste segundo momento, nossa preocupação é com a reconstrução e com as iniciativas para que a vida econômica, o trabalho e o emprego, se normalizem na região”, afirmou Lupi aos moradores do Vale do Cuiabá, em Petrópolis, na sexta passada.
Na oportunidade também anunciou total apoio à iniciativa da Firjan, através de seu presidente Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, também presente ao encontro, de reassentar os atingidos pela tragédia em área doada por um particular, projeto tocado pela Firjan.
“A determinação da presidente Dilma é de que ações imediatas sejam feitas para minorar o problema social provocado pelas enchentes de janeiro. De conversa fiada estamos todos cheios. É por isso que estamos aqui e, em nossa opinião, até a Petrobrás tem muito a ajudar aqui cedendo, por exemplo, asfalto para a recuperação das estradas”, acrescentou o Ministro na reunião que contou também com a presença do prefeito Paulo Mustrangi, de Petrópolis.
Antes, Lupi assistira, ao lado do prefeito Mustrangi, a apresentação do projeto de reconstrução do Vale do Cuiabá encampado pela Firjan. “Uma família tradicional da região já cedeu um terreno de 50 mil metros quadrados para a construção e o governo municipal está nos garantindo a infra-estrutura. Agora vamos começar as obras”, anunciou Gouvêa Vieira explicando que a retomada da agricultura no Vale, completamente destruído pela cheia, é um dos pontos altos do programa da Firjan – que visa dar alternativas de trabalho aos locais.
Depois de frisar que percorria a Região Serrana para saber das principais necessidades da população, Lupi anunciou a sua determinação de ajudar “trabalhadores, empresas e governos para que seja evitado o esvaziamento econômico” da Região Serrana. Com esse objetivo, explicou que no primeiro momento, disponibilizou para os cerca de 174 mil trabalhadores formais existentes nos municípios afetados ajuda de até R$ 5.400,00, para retirada imediata, do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. “Mais de 82 mil trabalhadores já fizeram uso dessa prerrogativa, minorando seus problemas nessa hora difícil”, assinalou.
Lupi também enumerou as iniciativas do Ministério do Trabalho para facilitar a vida dos trabalhadores afetados. Citou o bolsa-qualificação, que prevê o pagamento pelo Ministério do Trabalho de até R$ 1.100,00, durante cinco meses, para os empregados cujas empresas enfrentem dificuldades em honrar a folha – para que elas tenham fôlego para se recuperarem enquanto esses trabalhadores saiam da folha, recebam o auxílio do Ministério desde que estejam matriculados em cursos de qualificação profissional, através de parcerias entre o Ministério e as prefeituras.
Informou também que os repasses do seguro-desemprego, normalmente de três ou cinco meses, ganharam mais dois meses, entrando o dinheiro automaticamente na conta do beneficiado. Disse ainda que estava fechando, para toda a região, a capacitação de pelo menos 13 mil jovens desempregados entre 18 e 29 anos em atividades a princípio ligadas a agricultura e ao turismo, grandes vocações locais – também em convênio com as prefeituras.
Do Vale do Cuiabá, de automóvel, Lupi se deslocou para o Centro de Teresópolis onde se reuniu com o prefeito Jorge Mário na sede da prefeitura, no Centro, antes de se deslocar para a localidade de Bomsucesso, na estrada Teresópolis-Friburgo, uma das áreas mais atingidas pelos temporais. Lá se reuniu com dezenas de trabalhadores rurais convocados pelo Secretário de Trabalho local, Marcão, e pelo sindicato local.
Na reunião, com a participação do prefeito Jorge Mário, de secretários municipais e mais os secretários estaduais Brizola Neto, do Trabalho, e Felipe Peixoto, do Abastecimento e Desenvolvimento Regional, Lupi fez questão de ouvir os presentes, antes de se manifestar.
Ainda na abertura, elencara as medidas já tomadas pelo Ministério.
Várias pessoas apresentaram reivindicações, entre elas os representantes dos trabalhadores rurais, inclusive Edson Cipriano dos Santos, secretário geral do sindicato que organizou o encontro.
“A situação dos trabalhadores é calamitosa, ainda há locais sem acesso. Em alguns lugares não temos como escoar o que é produzido, estamos perdendo o que poderia gerar renda e, em outros locais, houve perda total ficando inviável até a entrada de tratores”, afirmou Edson que defendeu a idéia de que o governo federal aplicasse na região recursos a fundo perdido porque a situação é dificílima para muitos que perderam tudo, até os documentos.
Lupi também ouviu um hoteleiro de Vieira que, em nome de uma comissão, relatou que os hotéis da região empregam cerca de 1.200 trabalhadores com carteira assinada, mas muitos já estão com dificuldades para continuar funcionando e por isso estão começando a dispensar pessoal. “No momento já há mais de 100 demitidos no setor e esse número deve aumentar muito rapidamente porque os hotéis estão vazios devido a tragédia, que ocorreu em plena temporada, e só teremos movimento de novo em julho”, explicou.
Um comerciante de Vieira, por sua vez, explicou que dos 40 funcionários que emprega com carteira assinada, cinco perderam tudo e ele está tendo grande dificuldade em mantê-los porque o movimento de venda caiu muito.
“Como todos os que estão aqui, dependo da retomada das atividades econômicas. Aqui há principalmente pequenos produtores rurais, sem carteira, que trabalham por conta própria, mas que geram riquezas tanto que não temos praticamente problema de desemprego aqui. Esta região fornece cerca de 90% das hortaliças que o Rio de Janeiro consome, daqui partiam diariamente de 300 a 500 caminhões carregados, todos os dias. Mas hoje temos a quebra da produção por isso o apio das autoridades é fundamental. Dependo das pessoas aqui para vender mercadorias e é fundamental que elas ganhem dinheiro, voltando a produzir imediatamente”, afirmou o comerciante local, sendo muito aplaudido.
Depois de ouvir também dificuldades quanto a sementes, crédito rural e negociação da produção junto a Ceasa, Lupi retomou a palavra e sugeriu – sendo imediatamente apoiado – a criação de um grupo de trabalho para - de forma permanente, a partir dali mesmo onde estavam acontecendo a reunião, o Clube Show de Bola de Bomsucesso – trabalhar pela reconstrução e retomada das atividades econômicas, de forma acelerada com participação de representantes designados pelo governo federal, pelo governo estadual e pelas prefeituras.
Determinou que, pelo Ministério do Trabalho, o Superintendente Regional de Trabalho e Emprego do Rio de Janeiro, Antonio Albuquerque, que estava presente, determinasse o deslocamento de funcionários para o local já a partir da próxima terça-feira (15/2) para agilizar todas as providências necessárias para atender a população, da parte do Ministério do Trabalho. Sugeriu que os secretários estaduais Brizola Neto,do Trabalho, e Felipe Peixoto, do Abastecimento e Desenvolvimento Regional, tomassem providencias semelhantes – para facilitar a vida da população da região.
O prefeito Jorge Mario encerrou a reunião, relatando outras providências já tomadas no âmbito da Prefeitura junto a órgãos públicos, acrescentando ainda que concordava integralmente com idéia do ministro Lupi quanto a urgência necessária para vencer a crise. Os secretários Brizola Neto e Felipe Peixoto também aceitaram a missão.
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